sábado, 23 de janeiro de 2010
Repiende!
Estou cansada de migalhas,
de meia sola, de meia boca,
de meias palavras, de esmolas.
Cansada de pão dormido,
chiclete mascado, café requentado,
coração partido!
Estou cansada de me fazer de boba,
de lhe fazer a corte,
de me fazer de forte.
Não suporto mais essa meio morte!
Ah! Esse desencanto de mim...
Esse desencontro assim, assim.
Estou afim de virar a página,
de fazer um filme,
de viver uma mágica...
E ser feliz no fim!
domingo, 10 de janeiro de 2010
Uma historinha do peixe bom...
Numa tarde quente de verão,
um certo peixe mergulha
em águas profundas.
Encontra um oceano novo.
Infinitamente distante e belo.
É lá onde tem aquele submarino amarelo!
Onde toca o melhor som.
Pra lá só vai peixe bom.
É o céu do fundo do mar...
domingo, 3 de janeiro de 2010
precipício...
Estou na beira do abismo,
segurando uma corda puída...
Tenho duas alternativas:
Ou eu pulo...
Ou a corda se rompe
e eu caio.
Então crio asas .
sábado, 19 de dezembro de 2009
Uma fada invisível caminhando por seu jardim...
Caminho por seu jardim perdido,
catando flores, folhas, migalhas,
ervas daninhas, paus e pedras.
Invadindo seu espaço, remendando cacos...
Fazendo meu ninho com as sobras do seu tempo.
Caminho por seu jardim, displicentemente,
ao acaso, ao sabor do vento.
Semeando versos tímidos, desajeitados...
Aguando com lágrimas plantas ressecadas,
restaurando canteiros e vasos quebrados.
Caminho por seu jardim tão levemente,
como se por um momento fosse uma fada.
Uma fada invisível, sem asa, sem nada...
Fadada a indiferença e ao esquecimento!
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
Seus olhos são meus...
Seus olhos pousaram nos meus
por tempos imemoriais...
Despiram minha alma amarga,
adoçaram meus lábios, meus ais...
calaram minha boca ávida,
soltaram os nós, as amarras,
desse meu corpo moído,cansado!
apararam minhas sobras e farpas.
Seus olhos iluminaram os meus.
Abriram as minhas portas, todas!
Seus olhos são minha cura, minha calma!
Eles são as janelas da minha alma...
Me livram de dúvidas, de todo o talvez.
São seus olhos que me vêem de fato,
e que me fazem enxergar outra vez...
Seus olhos por vezes são os meus,
que me olham de dentro pra fora,
escondidos onde não sei...
Adeus...
Quando eu bati a porta do meu coração
na sua cara,
e disse que tava só dando um tempo...
Te enganava.
Meu relógio corre ágil e ligeiro
companheiro
meu dardo é certeiro e solitário
meu caro
os caminhos que ouso percorrer
são outros que não os seus...
Adeus!
sábado, 24 de outubro de 2009
solidão...
A solidão é um manto frio
que me cobre os ombros.
Os escombros de uma casa velha,
onde dantes morou um infeliz.
É um mantra triste de um sadu louco,
os versos roucos de um poeta indeciso.
O decote preciso no peito da meretriz.
A minha solidão...
É o corte impreciso de uma faca cega.
Uma cabra-cega tateando o muro.
um sopro de vela ardendo no escuro.
A solidão é minha,
é companheira.
Mora na cabeceira da minha cama,
me seduz, me acaricia, me ama.
A solidão me chama toda hora,
a noite inteira!
Assinar:
Postagens (Atom)








