sábado, 29 de setembro de 2007

Good luck!


Eu te chamo de menino, tu me chamas de felina.
Eu te quero agora, inteiro! Tu, metade em fevereiro,
(outra parte, só Deus sabe!)
Eu te chamo de saudade, tu passas o carro por cima.
Apelido: solidão! Tu brincas com minhas rimas.
Eu puxo os teus cabelos, tu tranças as linhas do tempo.
Eu bebo do teu veneno, tu sorri da minha sina.
Eu fico de mal contigo, tu fazes as pases com Deus.
Eu pego tudo que é meu e vou-me embora pra sempre.
Nem quero que tu te lembres, que um dia estive aqui.
Te desejo "good luck baby"! Fecha a porta quando eu sair!

terça-feira, 25 de setembro de 2007

Sozinha, sozinha!



Hoje eu quero ficar só. Só quero eu mesma como companhia.
Não quero ninguém, nem pra dar bom dia! Não quero ter que pedir:
Licença, por favor, obrigada! Ninguém que acenda meu cigarro,
que traga algum recado, ou abra a porta do carro... Não quero ninguém,
por perto, nem ao largo, nem ao longe. Que não me perguntem nada!
Nem como, nem onde. Não me cumprimentem! Não falem de hora marcada.
Nem me olhem com cumplicidade! Quero estar só! Quero andar só...
Pela cidade. Não quero cara metade. Não quero ser feliz!
Só enxergo meu umbigo. Nem um palmo além do nariz!
Vá ver se eu tô lá na esquina... Vá!

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Olhodepeixe


Faço pose pro seu olho de peixe... Morto!
E você nem click!

Anos de vida...


Eu queria ter lhe dado de presente, um belo futuro, ou uma bússola
que guiasse seu percurso, um livro que lhe desse um grande insight,
ou um anjo da guarda, pra lhe guardar pela vida inteira.
Um objeto qualquer que fosse... Que algo especial significasse.
Uma mudança, um novo rumo, uma descoberta, talvez...
Uma guinada! Ou nada disso, mas outra coisa ainda mais rara.
Eu queria ter lhe dado de presente um passado do qual você pudesse
se orgulhar. Recordações em slides coloridos! Uma viagem inesquecível!
Um amuleto, um carro, um animal de estimação... Uma canção!
Ah! Mas não sou Deus, não sou rica, nem nada,  nem poeta...
E o presente que eu posso lhe dar é o meu coração,
com a porta eternamente aberta!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Breve outono



...Porque se eu permitir, que tu entres assim....
E desmantele minha vida, e desarrume minhas coisas....
Já sei que estarei perdida. Embriagada de vinho barato.
Viciada em sua ousadia pós adolescente.
Por isso... Decididamente!
Te deixo em paz!

Nudez



Um pano cobre o corpo.
O rosto... seios, púbis.
Detrás do pano
um corpo nú.
Não um ser nú.
Um ser não se despe
tão facilmente....
Continua vestido,
embora despido.
Tira a roupa,
Mas a máscara...
Está fadada
a ser usada,
eternamente

S.O.S.


O mundo perdeu o fio da meada,
mas continua afiada a navalha
que corta todo dia a nossa carne!
O cheiro dos sonhos mortos,
os rostos anônimos apagados à borracha!
Cabeças cortadas, caçadas...
Capacetes e turbantes espalhados pelo chão.
São inimigos iguais, em busca de outra farsa.
Cada qual querendo o seu quinhão!
Enquanto isso...
Crianças morrem de bala, medo e fome.
E seus pais encontram vida eterna.
Nos campos da santa guerra...
Nos equívocos da guerra santa

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Meu sonho com Van Gogh


Essa noite eu sonhei que estava num jardim de girassóis,
e lavava as camisas brancas de Van Gogh...
Esfregava-as com tanta força!
Das minhas mãos saia sangue.
Van Gogh olhava... Se vangloriava em silencio.
E sorrindo pintava estrelas em mim.
E pincelava meu sonho de azul anil.

Quando tudo que importa é sono...


São três horas da manhã. Oh! amarga noite condenada! Allen Ginsberg dorme ao meu lado calado...
Eu não posso fazer nada. Já ofereci ao sono minha cabeça, desprovida de fantasias e devaneios,
mas ele não veio busca-la.
Pensamentos confusos... sonolentos, batem a minha porta. Rejeito-os, um por um. O frasco de"réscue"
me seduz, acendo a luz! Mas continuo no escuro. Tateio o criado-mudo. Tenho "gasolina" em minhas mãos.
Gregory Corso também veio dormir comigo. "No portal de uma ultrimagem improvável.... Entre paredes de
um quarto sem requintes de arrumação".

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Nascia uma flor...


Era primavera de oitenta e dois, doze de outubro... Nascia de mim uma flor.
Meia noite de lua cheia, e uma flor nascia de mim. Assim... Sem medo. Sem dor...
Era uma flor tão branquinha... Com um cheiro que vinha do céu. Um cheiro do outro mundo!
Eu respirava fundo e baixinho agradecia a Deus: Meu Deus! Nem sei se mereço, mas pra essa flor,
eu Lhe peço: O melhor adubo que houver, água pura a vida inteira. Terra fértil, luz do sol...
Me faça também jardineira, pra cuida-la com carinho, podando somente os espinhos, sem machucar
os seus galhos. Regando-a todos os dias, pra que ela cresça forte, linda e sadia. E desabroche plena.
E as suas sementes floresçam pelos canteiros da eternidade!

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

gasolina azul



Desde o dia em que te conheci.
Com toda sua loucura e audácia.
Vi quão limitada sou...
Como os velhos poetas que recuam.
Em ninguém, até hoje, despejei
uma torrente de relógios esquecidos.
E nenhuma criança veio falar comigo,
balançando o oceano numa varinha.
Mas meu pai... Esse sim....
Devorou os meus aniversários.
Ah! nunca me vesti com as
explendidas botas do Sudão...
Nem beijei as Fátimas cantantes
do cafetão de Adem!
Mas agora sei, mas agora sei porque,
as minhas mãos estão em chamas!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Pela metade





Eu sou tudo pela metade.
Meio razão, meio sensibilidade,
meio tímida, meio lúdica,
meio esotérica, meio às avessas,
meio às pressas, meio atrazada,
meio desligada, meio telúrica.
Meio calada, meio nas nuvens...
meio avestruz, meio maluca.
Eu sou toda pela metade.
Meio arredia, meio evasiva,
meio à vontade.
Meio assim, meio zen...
Meio na contramão, meio na solidão,
meio correndo atrás.
Meio insatisfeita, meio inquieta,
Meio inacabada, meio indefesa,
meio incompleta!

Mona Lisa Van Pira

Você chegou toda pop, um ar de top...
Meio Mick Jagger, meio Jerry Hall.
Flutuando como um anjo star!
Sobre plataforma verniz laranja,
desliza lânguida, impávida.
Esbanja charme!
Um look andrógino. Algo Andy Warhol,
esquisitamente sedutor. Enigmático!
Retoca a maquiagem, faz pose pra foto,
assobia uma música de Otto,
rodopia como uma miragem.
Faz caras e bocas, e pausa.
Sorri meio Monalisa, cita Bukowski,
imita Basquiat!
Vai pro banheiro fumar.
Volta ainda mais linda, e doidona.
Monta ali mesmo, uma instalação.
Incorpora Bridget Fonda,
e detona uma bomba,
bem na porta do meu coração!

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Princípio fundamental


Eu não sei o que é o binômio de Newton,
nem o triângulo de Pascal.
Coeficientes, anagramas, etc e tal...
Mas quero você, sem óculos,
fazendo cálculos absurdos.
Potencia crescente, equação inexata!
Algarismo distinto...
Uma análise combinatória.
Aqui em meu tatame.

domingo, 9 de setembro de 2007

Porrada


Somos tão pequenos, tão sozinhos...
Tão mesquinhos... Quando brigamos.
Somos tão pouco amigos,
quando quebramos cadeiras e vinis.
Somos tão vilões, tão vis.
Quando lavamos nossa roupa suja,
nossa boca suja, língua afiada!
-Puta! Vagabunda!
-Corno! Escroto!
Porrada!
Somos insignificantes, somos nada!
Quando nada mais temos,
A ganhar ou a perder.
Só nos resta o toque de recolher.
Não há mais nada que a gente possa fazer.
A não ser enfiar o dedo na garganta,
e vomitar!

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Face morta.



Eu vi um lago em teus olhos. Um lago profundo e triste, derramando os pecados do mundo,
por sobre as rugas de uma face morta.
Eu vi em teus olhos, escondido sob pálpebras cansadas, um brilho opaco. De quem um dia,
bebeu a água da vida e deixou o copo vazio antes da hora.

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Dois perdidos


Desde quando nos encontramos
na rua por acaso.
Como dois cães que se olham,
se estranham, se cheiram
e não se desgrudam mais.
Desde quando dividimos
o amanhecer e o ocaso,
e as contas nunca pagas
de aluguel, e as pontas de cigarro,
e as memoráveis noites de orgasmos.
Desde quando juntamos nossos trastes.
Nossos pentes de dentes quebrados,
nossos discos arranhados,
e as escovas... as ditas cujas!
Desde então... Somos não mais
que dois perdidos numa cama suja!

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Oração



Desde os tempos dos nossos pais
até os dias de hoje
Temos sido gravemente culpados
pelos holocaustos
pelos homens nascidos em cativeiros
pelos filhos abortados
e setenta e sete cordeiros.
Rasguei a minha túnica
e a capa, a capa, a capa.
Arranquei os cabelos da cabeça
levantei-me da aflição
com as minhas vestes
e o meu manto rasgados!
Caindo aos pedaços
caindo de joelhos.
Estendi a minha mão ao Senhor.
Fazei brilhar aos nossos olhos
A Sua luz!
E dai-nos um pouco de vida
no meio da nossa servidão.
Porque nós somos todos escravos.
Porque presentemente nada mais somos
do que o resto de sobreviventes
de um planeta belo e decadente.

Sonhos Partidos






Meus sonhos acordaram
cansados, com fome...
Desistiram de povoar
minhas noites insones.
Meus sonhos...
Tão antigos...
Companheiros de tantos anos.
Se foram assim!
Da noite pro dia!
Sem esperar o café da manhã.
Mas não faz mal.
Outros sonhos novos virão.
Dividiremos lençóis
e travesseiros molhados.
Seremos fantasmas
nas longas noites de verão.
Depois... Insatisfeitos e cansados,
eles também partirão.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

balas amargas de mel


Aponte sua arma para mim!


Puxe o gatilho,


detone todas as balas.


Eu sei que elas não são de mel,


nem tampouco de hortelã.


Tire do meu ombro esse xale de lã.


Sopre um vento frio em meu pescoço.


Me negue o seu almoço.


Derrame no tapete a sobremesa.


Me dê um tapa com mão de luva,


me esmague no seu dente,


feito um caroço de uva.


Mas sonha comigo...


Todos os sonhos do amanhã!

Já disse não!


Não quero ser o analgésico

para sua dor,

nem o ácido lisérgico

da sua viagem.

Não quero ser o oásis,

não quero ser a miragem.

Nem seu porto seguro,

não quero ser!

Sua válvula de escape...

nem muleta, nem bengala.

Não quero estar na sua sala,

decorando o seu sofá.

Não quero ser sua fama,

ou sua sina,

não quero ser a menina,

dos seus olhos...

nem quero ser

sua escolha errada,

ou sua grande virada.

De você não quero ser nada!

domingo, 2 de setembro de 2007

Versos por acaso


Emendando palavras
costuro versos
com linhas rôtas
em agulhas enferrujadas
aparo as farpas
tesouras às cegas
rasgo os moldes
nem fitas métricas
nem réguas
ou esquadros
alfinetes quebrados
costuro versos
remendo os cacos
nos fundos dos sacos
retalhos mofados
remendo versos
com a linha do acaso!

De mãos dadas


Não fizemos juras de amor,
nem prometemos ao outro
o sol, a lua ou as estrelas.
Não registramos em cartório
nosso encontro,
nem escrevemos em diário
os desencantos e tristezas.
Somos um, somos tantos!
As vezes tão distantes,
as vezes tão juntos.
Dividimos fantasmas e pães,
nos amamos, brigamos.
Mudamos de assunto.
Muitas vezes sonhamos sós,
mas bebemos vinho na mesma taça.
comungamos as mesmas crenças,
pedimos as mesmas graças!
Pagamos nossas promessas.
E ganhamos da vida tantos presentes...
Quem sabe, talvez...
ou com fé em Deus!
caminharemos juntos, eternamente?

sábado, 1 de setembro de 2007

choro


Eu choro pelos meus amigos,

que morreram... Que partiram.

Pelos que estão mortos em vida,

pelos que não tiveram tempo,

pelos que não tiveram guarida.

Choro por mim, que não os tenho!

Pelo tempo que não volta mais.

Choro pelos nossos pais,

que sangraram os corações,

choro pelas nossas mães,

que secaram todas as lágrimas!

Choro por todos os sonhos que sonhamos,

que nunca foram realizados.

Pelos filhos que nasceram,

mas não foram batizados,

Pela bandeira que hasteamos,

e que o vento a rasgou.

Choro pelo que sobrou,

choro por nada!

olhar fugidio


No meio da multidão,

um olhar surgiu.

Olhar fugidio...

Pousou no meu coração,

depois se foi...

Repousar sob pálpebras

entristecidas.

como nuvens


Já não sonhamos tantos sonhos.

Nem buscamos dentro de nós,

santos ou demônios.

Apenas somos...

E passamos.

Como nuvens...

como transeuntes.

Saterês




Chegam trazendo cestos, colares e mel.


Nas caras amarelas, hepática tristeza,


risadas guaranis, risadas de rãs...


Ou guaribas.


Chegam trazendo, uma alegria apática.


Corpos fracos, cansados...


Saem pela ruas, buscam o ópio da cidade!


E o barco que veio, volta.


Outro dia virá de novo!


Trazendo cestos e mel,


levando os vírus daqui!