quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Pedaço de alma que carrego na mala

Eu me reconheço nesses olhos entristecidos
na boca entreaberta de dentes amarelados
no gesto trêmulo da pequena mão calejada
parecendo querer algo, desesperadamente!
Qualquer coisa que por acaso tenha sobrado
Seja uma migalha, um farelo, grão ou semente.
uma pequena porção de afeto ou de açúcar
uma bala que lhe atravesse a garganta seca
um biscoito dormido, um sonho de padaria
ou quem sabe, água, ou uma pitada de sal
ou um velho jornal para descansar a nuca...
Eu não pude lhe dar nada mais que um sorriso
e umas míseras rúpias para comprar um pão.
Ficou tatuada em mim para sempre sua imagem.
Tirei um pedaço de sua alma e carrego comigo,
até hoje!

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